terça-feira, 13 de setembro de 2011

A Revolta das Palavras : da desilusão à insurreição GERAL!

  Preocupado com o sentido exacto que daria às suas poesias, o poeta examinou atento cada palavra e sua aplicabilidade. Viveu com elas. Revirou-as de um lado para outro, virou às avessas cada uma. Notou, com isso, que escrever era arte complicada e exigia muita perícia e pesquisa.
  As palavras passaram a poder ter diversos significados dependendo da conotação que o poeta queria dar ao texto. Sentiu-se mal em expô-las a tal situação de inconveniência e dúvida, mas era necessário colocar tudo em pratos limpos. Elas, as palavras, não gostaram de estar a ser remexidas. Num verso solto no meio do poema pareciam saltar com medo do que viria a seguir. Mas o poeta as fez resistir e tentou minimizar o impacto de tantas interpretações com sentidos e significados. Tratou, o escritor, de apenas qualifica-las com modestos adjectivos suaves acreditando que assim todas as palavras do texto passariam a trabalhar a seu favor. Ledo engano. Elas sentiram-se subjugadas, menosprezadas pelo autor e trataram de se revelar largando-se pelos versos de maneira aleatória e quase provocando falta de sentido ao poema. Não fosse a habilidade do profissional que as criava, elas teriam exercido total comando sobre o trabalho que estava sendo executado, mas o poeta as cercou de advérbios e ordenou as acções com imagéticos verbos transitivos dando um complexo parâmetro estratégico para poema.
Foi assim, com essa luta travada de difícil resolução, que finalmente o poeta conseguiu colocar o ponto final em seu trabalho. Sim porque a pontuação pontua-te a vida! Pois poeta és, numa vida inteira, mas não és nenhuma palavra até a conquistares. Neste momento, as palavras comando o mundo! Guerra entre o homem e as palavras  ? Não. Essa batalha já está mais que vencida. As palavras vencem o homem, devastam-o, recriam-o e consolam-o. 

E agora ? Continuas a querer ser um poeta ou preferes uma vida com a palavra ?
Escolhe bem. Pois elas não precisam da tua atenção, tu é que as procuras sempre que a tua vida te pede para te expressares. Elas são mudas e cegas, já tu não o consegues ser... 

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