segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Preciso...

Preciso descobrir quem , a esta altura da vida, quem sou eu.

Na ficha do banco , apareço como cliente.
No restaurante, sou freguês.
Quando alugo uma casa, sou inquilino.
Na condução, sou passageiro.
Nos correios, sou remetente.
No supermercado, sou consumidor.
Para a récita federal, sou contribuinte...
Com o prazo vencido, sou inadimplente; se não pago sou sonegador.
Para votar, sou eleitor; mas no comício, sou massa.
Nas viagens, sou turista.
Na rua, caminhando , sou uma perdida a mendigar para o futuro;
se me atropelo, viro acidentada.
No hospital, transformo-me em paciente.
Para os jornais ,sou vitíma.
Se compro um livro, eu me torno leitor.
Se ligo o rádio, sou ouvinte.
No futebol, eu, que já fui torcedor, virei galera.
Quando eu morrer, ninguém vai se lembrar do meu nome.
Vão me chamar de defunto!

Mas, na realidade, não sou apenas um nome ou um número.
Sou filha das minhas palavras e fruto do meu esforço !

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