sábado, 23 de julho de 2011

|| Texto para a Editora 2008 ||

  Sentei-me na minha escada de caracol, com uma música na boca que me conquista o coração. Entrego à minha felicidade toda a minha dedicação, sim, não preciso de bens materiais para sorrir, basta que a palma da minha mão sinta uma cor quente que com seus olhos peça carinho. Sim, a minha cadela é a minha maior alegria. Ela não é meramente uma companheira, é uma razão a que me agarrei para enfrentar esta colorida mas dolorosa Vida.
  Lembro-me que quando era miúda vivia cada dia como se fosse o último, onde a maldade não tinha morada, em que os sonhos é que reinavam.
  Um dia, estava eu a ouvir falar de contos de fadas e o tempo parou!
  Espreito pela janela e o luar encontrava-se sem estrelas, procurei respostas no meu bauzinho mas ele já não se encontrava no meu quarto.
  Como é possível tirar a uma criança, em tão poucos minutos, a sua infância e obrigá-la a crescer sem os brinquedos com que ela entretida fazia novelas com finais felizes… É triste depararmo-nos sozinhos com tanta coisa nova para viver.
  As noites eram tão nítidas como a água, já o sol da manhã era assustador para quem lhe roubou parte do seu mundo sem pedir autorização.
  Encontrava-me num bosque, onde a cada passo que dava via que as pessoas eram autênticos selvagens das Ciências, a humildade, a magia do natal tinha desaparecido.
  Como podemos estar felizes sabendo que há quem passe fome e durma ao relento?
  É incrível como num lapso de segundos os ternos olhares viraram euros bem torneados. O país tornou-se dependente do dinheiro para cada decisão da sua vida.  É este o sentido da Vida?
  Recuso-me a acreditar que tudo seja tão fácil assim. Recuso-me a dar importância ao par de olhos que mostro ter, esquecendo-me que poderá haver uma certeza para além do imaginável que nos responderá a todas as perguntas.
  Eu não serei como tu. Posso ir pelo caminho mais louco, mas sei que esta loucura me levará ao verdadeiro significado da vida e da felicidade.
  Apesar de todas as dificuldades que passo, a minha felicidade são estes pequenos passos para a descoberta do divino, não um belo carro cheio de compras para agradar as aparências.
  Preciso muito mais que o corpo, preciso de fazer crescer a alma, só aí terei orgulho da minha pessoa!
  Sim, admito que estou naquela fase da adolescência de questionar tudo e achar que o amor é-me incompatível. 
  Quem é que nãos e esquece do quanto nova é?
  Nego todo o amor que não te traga até mim. Quis que me eternizasses o momento e me aprisionasses o sentimento. Estas pequenas coisas estragam uma vida que podia ser vivida com redondos sorrisos. Tive que por um ponto final no que estava a sentir. Já não era amor, era dor!
Incriminaste-me o coração? Então eu espelho-te a razão.
Sim, sou uma eterna apaixonada e agarrada a sonhos. Ao contrário de vós, dependo do amor não dos euros que tanto me ameaçam a vida.
Desculpem, mas não quero ter uma cara sem rosto, nem uma alma sem coração.
Isso não é viver, é morrer!
Acredito que um dia serei mais que um sussurro, serei um orgulho, e que o medo que agora sinto de viver será substituído pela sabedoria que ainda não adquiri.


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