Esquecida em mim num rosto que me era familiar, torno-me a sombra de um fatídico amar.
Quando outra sombra se tenta aproximar sussurras-me coisas doces sem deixar de me olhar.
Sinto-me aprisionada no casulo da ignorância que criei para não ver a realidade de não te ter... mas aos poucos apercebo-me que as paredes que outrora espeças- te me protegiam da luz, e deixam aos poucos entrar casa vez mais os raios de sol... e tantos foram os beijos que secaram naquela cama! Tantos beijos que me mancharam o corpo denunciando a minha alma (...)
Observar com os olhos é humano demais!
Porém, observar com o coração é ver o nada demais... Ver o que os olhos não enxergam, sentir o que o corpo não toca, respirar o ar já não me é mais oferecido... Alcançar aquele horizonte que tanto brilha no íntimo de cada olhar que se debruça sobre ti, é como mais uns lábios me tocassem e me pintassem de cor-de-rosa os lábios da história que outrora beijei. (...)
Sinto a tua respiração ofegante ao me beijar, o riso dos teus olhos perdidos no meu corpo em cada canto do nosso prazer silencioso... Lembro-me da pena que flutuava em meu corpo sem me tocar, ou das ondas que movias apenas com um olhar e me fazias sentir com as minhas mãos aquele meu mundo que seduziste... Corpos separados, mas unidos sem falar, não sei se me amaste ali mesmo, com ternura e sem perto chegar, mas o corpo despiste com a respiração, os lábios beijaste com o coração, fizeste sentir perdida nesta doce emoção. (...)
Eu disse-te: Toca-me ! Faz-me sentir que estou viva!!! Ou, esquece-me! Talvez morra com o tempo...
Tu desafiaste as minhas palavras e viraste costas à história toda cor-de-rosa em que me fizeste viver. Mas hoje procuras aquela criança neste corpo e mente de Mulher e vês que não sou mocidade para a tua vida, já não sabes acompanhar o milésimo segundo do meu pestanejar, nem me fazes sentir culpar daquela batalha que pensava ter perdido, mas que hoje vejo que fui eu que ganhei, ganhei-Me. E tu? Tu perdeste.
Jogaste.
Arriscaste e arrasaste com aquela música que ficou perdida no tempo, no ar...
Perdi contigo o medo de me entregar ao espaço.
Agora embalei-te naquela pessoa que em mim está guardada, e tu com os olhos a fechar, dei-te tudo o que é meu sem me que pedisses. Enquanto isso, eu mantenho os meus olhos nas estrelas...
Porque bem me senti, e continuo amor, a sentir!
Sinto.. sinto... a vida que sem a tua autorização me fez voltar a sonhar e a pecar nos meus desejos, mas que faço de mim a mentira da tua vida!
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